Câmara de Comércio e Indústria Luso-Russa: Propulsionando a Parceria

No passado dia 9 de maio de 2019 foi constituída a CCILR – Câmara de Comércio e Indústria Luso-Russa, que resultou de um contexto político favorável entre ambos os países (medida resultante da última reunião intergovernamental, de final de 2018) e ao mesmo tempo da iniciativa de um conjunto de empresários Portugueses e Russos focados em promover as relações comerciais entre ambos os países.

A 28 de maio realizou-se a 1ª Assembleia Geral, onde foram eleitos os órgãos sociais, e fomos falar com o recém-eleito presidente da direção, Bruno Valverde Cota, Doutorado em Gestão de Empresas pela Universidade de Évora, autor, co-autor e coordenador de mais de 14 livros nas áreas de Gestão Empresarial (Marketing, Estratégia e Comunicação), considerado pelo International Biographical Centre of Cambridge um dos "Outstanding Intellectuals of the 21st Century 2010" e CEO da empresa OPTIMISTIC PLUS LTD:

Qual é a missão da CCILR e em que áreas actua?

A Câmara de Comércio e Indústria Luso-Russa é uma entidade privada sem fins lucrativos que tem como principal atividade o fomento das relações comerciais entre empresas dos países de língua oficial portuguesa e as empresas russas. Assim sendo, o nosso principal objetivo é o auxílio a empresas nos seus processos de internacionalização para o mercado da Federação da Rússia e para ou no mercado lusófono, através dos vários serviços e rede de contatos que dispomos.

Como entidade que visa auxiliar as empresas a expandirem-se no mercado luso-russo, a CCILR procura ser o espelho de frutíferas relações mantidas entre estes dois países amigos há 240 anos.

E porque as empresas portuguesas devem apostar no mercado russo?

(Sorriu) Essa é uma pergunta que eu fiz a mim próprio há 10 anos atrás quando começamos a trabalhar com o mercado russo, num contexto mais adverso que o atual. A Federação da Rússia é o maior país do mundo em termos de território, é a 6ª maior economia do mundo em termos de GDP purchasing power parity com 4,2 triliões de dólares, tem uma ambição de crescimento até 2020 de 4,5 triliões de dólares, nos últimos 20 anos a dívida pública reduziu de 92% do GDP para 15%, as reservas internacionais da Rússia aumentaram mais do que 35 vezes, os ativos do sistema bancário cresceram 23 vezes mais e o GDP per capita quase triplicou, sendo atualmente de 29 000 dólares. No mesmo período, a inflação passou de 36,5% para 4,3%, e para ter um termo de comparação a taxa de inflação da Roménia, que integra a EU, é de 4,4% e da Hungria 3,3%, segundo dados do Eurostat publicados este mês. 

Desta forma, a Rússia tem vindo a ter uma performance impressionante, num contexto geopolítico nem sempre favorável, e isso faz com que a taxa de desemprego atual seja muito baixa, 4,8%, quando em Portugal foi no final de 2018 de 6,6%, e com que seja o país com o maior GDP per capita dos BRICS. Acresce ainda o facto de se tratar de um país com 144,5 milhões de consumidores.

… Vejo que fala da Rússia de uma forma apaixonada?

Factos são factos! Sou empresário e tenho que assentar a minha atividade com base na realidade e não na ficção muitas vezes criada. Vou dar-lhe um exemplo insuspeito e publicado recentemente pelo Swedish Trade and Investment Council. Eles publicaram os resultados de um estudo feito a empresários suecos que trabalham com o mercado russo: 61% expectam que o GDP da Rússia cresça com uma performance não pior que a média dos últimos 5 anos, 82% têm planos de permanecerem no mercado russo a longo prazo e 76% acreditam que vão aumentar a quota de mercado, as vendas e a margem nos próximos 3 anos. 

Então aconselha vivamente a Rússia como um mercado prioritário?

Depende de empresa para empresa, do estado de maturidade em que se encontra, e da sua estratégia. Na CCILR poderemos apoiar as empresas portuguesas a conhecerem melhor este mercado, a diminuírem o seu risco, e a encontrarem as soluções mais ajustadas a cada realidade.

Mas permita-lhe que lhe diga, se a Rússia pode ser o hub de entrada das empresas portuguesas no mercado da União Económica Euroasiática, Portugal também é certamente um hub de entrada “amigo” para a União Europeia e fundamentalmente para os países de língua oficial portuguesa. São 250 milhões de consumidores que representam para as empresas russas uma oportunidade de diversificação de mercados e de negócio.

Depreendo das suas palavras que a CCILR vai ter uma atuação nos dois sentidos?

 É isso mesmo! É uma Câmara bilateral e temos objetivos não apenas no âmbito económico e multissectorial, mas também no campo cultural e social. São duas culturas e línguas diferentes, tão ricas que não podemos ficar indiferentes. Temos que promovê-las, partilhá-las e desenvolver ações concretas em conjunto com as Embaixadas de ambos os países.

Qual é o plano de atividades para o 2º semestre de 2019?

É ambicioso e será apresentado publicamente oportunamente, podendo ser consultado no nosso site www.russiaportugal.org. Para já convido todas as empresas portuguesas e russas, ou cidadãos portugueses e russos, que se identifiquem com a nossa missão juntarem-se a nós. Todos juntos seremos mais fortes contribuindo também para um mundo melhor, com paz, o que se enquadra igualmente no quadro dos nossos objetivos sociais, mais concretamente de responsabilidade social, que referi anteriormente.