Comentário do adido de imprensa da Embaixada ao jornal Público sobre o Dia D

Prémios e prejuízos

Quando somos confrontados com notícias veiculadas pela comunicação social sobre a existência de prejuízos na principal transportadora aérea nacional, e passados alguns dias, a mesma comunicação social nos dá conta da atribuição de prémios a um leque reduzido de funcionários da mesma, podemos concluir que a crise não é para todos e não nos devemos admirar se a breve trecho outros não reclamarem o mesmo direito.

Quando determinado governante iniciou o processo de privatização da denominada transportadora, não estaria a vender um património que é nosso, mas a procurar que fossem os privados a assumir as suas responsabilidades pelas más práticas administrativas, isentando o Estado, representado por todos os cidadãos a ter de pagar pelas mesmas, o que certamente iria fazer desviar verbas alocadas a outros organismos, para fazer face a tais prejuízos.

A existência dos anunciados prejuízos, e por outro lado a atribuição de prémios acabam por vir dar razão às opções do anterior governo, sendo a prova de que com o dinheiro dos contribuintes tudo é lícito, até o favorecimento de uns em detrimento de outros, quando a tomada destas decisões dúbias deveriam obedecer a esclarecimentos aos demais cidadãos.

Américo Lourenço, Sines

Dia D

Li com interesse os numerosos artigos no PÚBLICO de 6 de Junho dedicados aos 75 anos de desembarque dos norte-americanos na Normandia. O que surpreende é que nem foi mencionado nestas publicações o papel crucial que teve o povo soviético na derrota dos nazis na Segunda Guerra Mundial.

No momento da abertura da segunda frente, há 75 anos, tinham passado para a URSS os 3 anos sangrentos da guerra mais violenta na história do mundo. Defendendo a sua pátria, atacada pelas forças nazis a 22 de Junho de 1941, e libertando a partir de 1944 da peste castanha a Europa, o povo soviético pagou um preço altíssimo e irreparável, em termos humanos (mais de 26 milhões de vítimas) e materiais. Mesmo após o Dia D, os dois terços do potencial ofensivo de Hitler continuavam concentrados na frente do Leste, contra a URSS. As maiores operações e batalhas da Segunda Guerra Mundial decorreram precisamente neste flanco.

Sem qualquer dúvida, a abertura da 2.ª frente é um acontecimento histórico que contribuiu para a mais rápida derrota do Terceiro Reich. O desembarque na Normandia, bem como o Dia de Elba, quando se reuniram perto do rio Elba as tropas aliadas soviéticas e norte-americanas – estes episódios importantes da Segunda Guerra Mundial não podem ser esquecidos. Demonstram claramente que, apesar de sérias divergências, inclusive as políticas e ideológicas, entre os aliados na coligação anti-Hitler, eles conseguiram preservar a sua unidade no combate contra o inimigo da humanidade.

Boa lição da história, à qual devemos prestar atenção nos nossos dias, quando é tão vital para os Estados do planeta ficarem unidos no combate contra as ameaças globais, tendo o terrorismo internacional entre elas.

Alexander Bryantsev, conselheiro da Embaixada da Rússia

https://www.publico.pt/2019/06/08/opiniao/opiniao/cartas-director-1875777