Artigo do adido de imprensa da Embaixada no jornal “Público” sobre a Conferência Internacional de Munique sobre Assuntos de Política de Segurança

Conferência de Segurança 

A edição da Conferência de Segurança de Munique de 2019, realizada em Fevereiro, surpreendentemente mereceu pouca atenção da imprensa nacional. No PÚBLICO foi Teresa de Sousa a referir-se a este tema, falando, porém, mais da situação em geral no domínio da segurança do que do conteúdo da discussão ocorrida.

Gostaria de citar alguns extractos do discurso do MNE russo Serguei Lavrov, já que têm muito a ver com a mãe-Europa. O ministro destacou uma coisa evidente: a situação actual no continente europeu e na região euro-atlântica está grave, têm aparecido novas fracturas e aprofundado as velhas. O que nós voltamos a sugerir, pela enésima vez, é considerar a ideia da construção de uma “casa comum europeia”, de Lisboa a Vladivóstok. Mesmo que isto soe estranho nestas circunstâncias, acrescenta Lavrov.

As respectivas ideias têm raízes na história, sendo que os presidentes franceses Charles de Gaulle e François Mitterrand, chanceler alemão Helmut Kohl promoviam o conceito da Grande Europa do Atlântico até às Urais, em plena cooperação com a Rússia em prol da estabilidade e segurança. Depois da “guerra fria” estas iniciativas, quando podiam ter sidas realizadas, acabaram por ser apenas boas intenções. Lavrov sublinha que o que foi escolhido era a “centralidade da NATO” e a lógica “guiador – guiado”.

Qual é o resultado, pergunta o MNE russo e dá uma resposta franca – a Europa unida nunca foi construída. O potencial de cooperação enorme entre a Rússia e a UE e as suas vantagens comparativas não estão a ser utilizadas. Os problemas essenciais para todos nós – de erradicação do terrorismo ao asseguramento do crescimento económico sustentável – não encontram respostas adequadas.

Contrariamente às especulações, resume o ministro, a Rússia tem interesse em ver uma UE forte, independente e aberta. Estamos totalmente dispostos para um trabalho conjunto para reparar a nossa casa comum que é a Europa. E é muito agradável vermos a mesma disposição das autoridades portuguesas.

 

Alexander Bryantsev, Adido de Imprensa da Embaixada da Rússia

https://www.publico.pt/2019/03/06/opiniao/opiniao/cartas-director-1864176